Apesar de raros, eles ainda me entregam os textos eróticos. A Atis, amiga minha, inteligentíssima, entregou a segunda parte do texto prometido. Segundo palavras da propria, essa parte tem mta lenga lenga, pouca ação, mas é imprescindível pra compreensão da terceira parte. Ela é do tipo que se prende na primeira, melhora na segunda e o paraíso é na terceira… pra quem não se lembra, aqui está o link da primeira parte da história [http://confessioning.wordpress.com/2009/08/18/da-atis/]
Vamos à segunda parte!
Le Fleuriste
2º Capitulo – As Abelhas

Veio aproximando seus lábios dos meus. Eu podia sentir o hálito quente da boca daquela desconhecida me invadir, prestes a me tomar por completo quando de repente… O sinal das 09h10 tocou e me fez despertar do transe. Assustada, empurrei-a contra a porta do reservado, num movimento violento, fazendo com que se desequilibra-se por alguns segundos. Atirei todas as minhas coisas dentro da bolsa e sai correndo do banheiro sem nem tomar o cuidado de abotoar a blusa. Estava mais atrasada do que nunca e completamente perdida.
Por sorte não havia ninguém pra presenciar minha fuga. Entrei na sala e me sentei, estava pálida. Fiquei remoendo todas aquelas lembranças ”Não! eu jamais vou falar sobre isso… isso não vai se repetir! Aquela maldita… se eu pudesse.. a mataria!”.
Minhas amigas tentaram chamar atenção… Porem continuei desligada do resto do mundo
Como sentia ódio daquela “umazinha” com aquele sotaque de “merd”! …Mas… ao mesmo tempo… Pensar me fazia reviver certas sensações… E quanto mais eu pensava maior se tornava o desejo que eu tentava negar.
Por coincidência a professora que entraria no próximo tempo também estava atrasada. Teria aula de geografia com a senhora Carla, que de senhora só tinha o tratamento porque não aparentava mais de 30 anos.
Era uma das professoras preferidas dos alunos (principalmente dos meninos). Não podia negar… Era muito bonita, branca, alta, magra, com olhos azuis claros, cabelos negros curtos na altura do queixo e costumava usar uma saia modelo secretaria preta apertada, que destacavam ainda mais suas cochas grosas.
Costumava ser pontual em suas aulas, e como já havia mais de 15 minutos de atraso, muitos comemoravam os tempos vagos… Não que eu tenha notado a falta de alguma coisa… A verdade é que minha cabeça estava em outro lugar.
Mas de subitamente ela entrou pela sala, vestindo sua saia de praxe, uma blusa decotada em v cor de carne e um par de sapatos pretos altos de bico fino. Estava radiante e alegre de mais… (coisa que ate eu percebi).
Pensei comigo mesma:
“La vem teste… isso tem cara de no mínimo um questionário bem “cabeludo”… daqueles que todo professor adora passar pra “ferrar” uma turma… ai meu Deus… não tem como eu fazer qualquer coisa desse jeito… ha!… Mas que se FODA!… depois, com calma, eu recupero a nota… o que vai ser uma gota? no mar de problemas que estou tendo.”.
Só que eu havia esquecido que uma simples gota muitas vezes é a diferença que falta pra desmoronar qualquer represa.
_ Bom dia alunos! Desculpem-me pelo atraso. Eu fiquei ocupada na secretaria, por alguns minutos a mais, ajudando a nova aluna da classe a preencher alguns formulários… (Virou-se para a porta ainda aberta com um sorriso todo contente… Esticou uma das mãos e acenou como quem pedisse para que entrasse.)
Não pude acreditar no que vi… ERA ELA! ALI! NA MINHA FRENTE!… E de todas as turmas do colégio ela tinha que parar logo na minha?!
_Essa é a nova colega de vocês, ela veio França e a partir de agora vai cursar o segundo semestre aqui. Sejam gentis com ela, e tentem fazer de sua convivência a mais agradável possível. (colocou uma de mãos sobre os ombros da jovem e continuou.)
_ Sei que a troca de ambiente deve ser muito difícil pra você… mas isso é uma ótima oportunidade de trocarmos conhecimento entre culturas diferentes …qualquer coisa eu ficarei feliz em ajudar. E só me procurar… ok? Bom, agora vou deixar que você se apresente para seus novos colegas.
Eu não sabia onde por meus olhos… mas involuntariamente eu ainda procurava os olhos dela … Ela já me observava há algum tempo. E quando nossos olhos se cruzaram ela sorriso, o que me fez ficar com o rosto todo vermelho instantaneamente.
Nem parecia a mesma garota. Agora, trajada com uniforme do colégio… parecia inofensiva, elegante …e educada … Mas ainda continuava com as botas feias e sujas nos pés.
_ Estou feliz em conhecer a todos… Eu sou Adoriabelle Léger… Podem me chamar de “Belle” se preferirem… Venho de Orleans na França… me mudei com meu pai.. Que esta no Brasil a negócios. Espero que possamos ser grandes… (olhou-me diretamente por alguns instantes como quem buscasse a resposta de um enigma)
_Como se diz em seu pais?…”amantes”… (No mesmo instante o engraçadinho da ultima fileira se pronunciou.)
_Com todo prazer “monamur”! (a piadinha fez com que toda turma começasse a rir.)
_Oh! Quero dizer… ”amigos”. Excuse-moi… É que eu ainda confundo as palavras “um petit”.
Claro que a professora, tão mais dedicada que o normal… interrompeu os risos… Porem, pra mim, estava bem claro que aquilo era uma indireta destinada a apenas uma pessoa.
_Silencio todos… Não vêem que estão deixando-a envergonhada. Ho. Minha querida… não se incomode… Sentes-se ali naquela cadeira. (Pro meu azar, a cadeira em questão, era atrás da minha)
Ela passou me encarando e deixando um rastro de perfume no ar. Não sei se pude esconder meu nervosismo… Eu não sabia onde me por.. nem como me comportar..e tudo indicava que isso duraria a eternidade.
Eu a odiava??? ”SIM EU A ODIAVA MUITO!!!”… Ao menos era isso que eu tentava me convencer.
_Bom alunos… aproveitando a entrada da nossa nova aluna… Vou mudar um pouco o plano de aula e adiantar um capitulo… Para ajudar a “Belle” na adaptação… ok. Vamos para o capitulo 27 – Economia européia…
A atitude “alegrinha” da professora começava a me irritar.” Que historia era essa de “Belle” e “Minha querida”??? O novo comportamento da professora era o único que me perturbava. Porem existia outras coisas com que me preocupar.
Já havia me amaldiçoado o bastante em pensamento e não existia castigo pior do que estar no meu lugar. Eu sintia os olhos de Belle me observando… Queimando a minha nuca. E não podia fazer nada.
Pensei em mudar de lugar, mas não haviam cadeiras vagas e mesmo que tivesse alguma… Não teria coragem de me levantar. A professora continuou a aula. E tudo que pude fazer era tentar me distrair com matéria.
Aquela sem duvida era a pior hora que eu já tivera em vida. eu sentia vontade de fugir , correr o mais rápido e longe possível…mas não conseguia mover um músculo. A todo o momento eu olhava o grande relógio pendurado na parede acima do quadro negro e cada minuto era uma eternidade. E aquela “francesinha maldita” parecia tão natural… Tão inocente.. sorrindo e falando com as outras garotas … Ha! Como isso me irritava!!!
Finalmente o sinal tocou. Que alivio! Eu iria sair e ter tempo para pensar no que fazer nos tempos de educação física que viriam a seguir. Mas antes que a turma pudesse levantar alguém bateu a porta. Era dona Ana, a secretaria da coordenação, uma senhora idosa, com um gosto para roupas um tanto quanto brega, mas muito gentil.
_ Bom dia. Eu estou aqui para comunicar que a turma será dispensada após o intervalo. O professor Eduardo, de Educação Física, teve que resolver uma emergência. E não poderemos substituí-lo,
“Essa foi a melhor noticia que eu poderia receber! Casa!”
Imediatamente, todos começaram a se levantar e eu resolvi fazer o mesmo. Mas enquanto eu me levantava senti algo cutucar as minhas costas. No susto me virei rapidamente e encontrei Belle sentada sorrindo pra mim. Aquele rosto lindo…tudo de que eu tentava escapar.
_Desculpe-me se a assustei… Não foi apropriado da minha parte. É que você esqueceu isso no banheiro… (mostrou-me um batom na palma de uma das mãos)
_ Eu ate poderia ficar com ele… Mas acho que a cor… Fica melhor em você..
Eu não consegui falar nada… Subitamente todos pelos do meu braço se arrepiaram… me sentia tonta …e ao mesmo tempo… Era como se algo misterioso me prendesse a ela. Porem tentei manter a minha cara de indiferença (… se é que isso era possível). Peguei o batom num movimento rápido, mas ela segurou minha mão antes que eu pudesse parir.
_ Eu sei que você sente isso… “mon orchid”… Minha proposta ainda esta de pé.
Encarou-me por alguns segundos e soltou minha mão. Tudo que eu queria fazer era escapar de mim mesma e de todos os efeitos que seu toque me provocara.
Mas enquanto eu passava pela porta algo me chamou a atenção. Ouvi a professora pedindo para que Belle ficasse na sala mais alguns minutos. Sentir algo muito diferente ali. ”Não… é bobagem! Você esta ficando maluca? O que é isso ciúmes?” E por mais que eu pensasse e tentasse me convencer do contrario as minhas suspeitas não mudavam. Mas continuei andando.
Ao chegar pátio da avistei Felipe meu namorado. Era Moreno, 1.80m, forte e com cabelo encaracolado. O típico “safado com cara de anjo”. estava cercado de amigos, todos inda trajados o uniforme do treino de futebol Como sempre assim que me viu veio tentando me agarrar.
_ para Felipe. Eu não estou com humor pra isso hoje.
_que foi gatinha… To com saudades de você. Vamos aproveitar seu tempo vago e ir pra minha casa.. só nos dois.
_ Não.
“O que estava querendo?” Mesmo ali do lado dele… a única coisa que eu conseguia pensar era naquela ‘maldita”. E cada vez mais os pensamentos dela e da professora sozinhas eram como abelhas irritadas zumbindo dentro da minha cabeça…e já não podia tolerar.
_que foi? Ta “naquele dias”? Vamos… A gente faz outras coisas.. Ate bem mais… Divertidas.
_ NÃO! Vai tomar um banho frio e se isso não bastar… Vai fazer sozinho. (O empurrei e sai andando)
Eu tinha que voltar e saber o que estava acontecendo.
Continua…